Monte Gordo é um dos lugares que guardo na memória da infância. Era onde parávamos para fazer pic-nics na mata depois de uma manhã de praia ou de uma ida a Ayamonte. Há anos que não ía lá, pois fujo de lugares super povoados no Verão, e confesso que me esqueço da sua existência durante o Inverno. A ideia que construí deste lugar é semelhante à que tenho de Quarteira: uma selva de betão à beira mar plantado.
Quis o destino que hoje fosse até lá. O dia de Pimavera convidou a um passeio na praia, mas em vez de ir para a "praia dos turistas", fui para a praia dos pescadores, onde durante o dia as embarcações estão espalhadas pelo areal bem como redes, boias e apetrechos vários. Encontrei um pescador a amanhar as redes que hoje de madrugada irão ser lançadas ao mar e estive ali a observá-lo e a conversar com ele. É uma profissão solitária, apesar de acompanhada. Confessou-me que gostava de ser barman, mas a idade e a falta de trabalho empurraram-no para o mar. As ondas de um metro são as que trazem melhor peixe: linguado, polvo, choco, ... que depois é vendido na lota local. Despedi-me e continuei o meu passeio. Fiquei com vontade de regressar um dia cedo de manhã, para apreciar o regresso da faina e quiçá trazer para casa um peixe bem fresco.
Para fazer estas últimas fotos tive de sair da
minha zona de conforto. Acreditem que foi um desafio. Não só não estou
habituada a fotografar pessoas, como não me sinto à vontade para abordar
desconhecidos. Mais uma prova superada! Que venha a próxima :-)
Pano p'ra Mangas


















































