quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Boas práticas - I

Chamar-lhe sustentabilidade parece-me demasiado pomposo, por isso prefiro dar-lhe o nome de "boas práticas", uma vez que são estas as que fazem parte da normalidade dos meus dias, e algumas desde que me entendo como gente. 

Há umas semanas encontrei a Marta - quer dizer, conheci-a pessoalmente, ou melhor ainda, ela é que me reconheceu, e após uma breve troca de palavras sobre um dos produtos que ela comercializa e eu utilizo, desafiou-me a escrever um post - que afinal vão ser mais... - sobre este assunto.

Para algumas pessoas ainda parece um bicho de sete cabeças, mas acreditem que não é, e assim que que se entranha, deixa-se de se estranhar.

Começo pelo que originou a conversa, o desafio e o post: o copo menstrual.

Já falei dele aqui e lembro-me que, na altura houve uma série de comentários, quer a favor, quer contra, públicos e privados. O que vos posso dizer é que desde que o adquiri nunca mais comprei tampões nem pensos higiénicos, o que no que diz respeito a investimento valeu bem a pena - basta fazer as contas. 

Em termos práticos: apenas tem e ser mudado de 12 em 12 horas, e não me venham com a história de que "tenho imenso fluxo" (em média um fluxo abundante é de 80ml durante todo o ciclo), porque não pega. E porquê? Com a utilização de pensos e tampões acabamos por não ter bem a noção do mesmo, porque basta um tampão ou um penso mal colocado para haver asneira e pensarmos que nos estamos a esvair em sangue. Além disso há copos com diversas capacidades: dependendo das marcas pode variar entre os 25ml e os 30ml. Parece pouco? Isto equivale, aproximadamente, a três tampões.

Outra questão levantada, na altura, teve a ver com a higiene. Sempre que falo nisto vejo caras franzidas à minha volta, numa expressão de nojo e repulsa. Confesso que antes de começar a usar também tive muitas dúvidas, porém não há nada de mais higiénico. Não, não sujamos as mãos. E o melhor de tudo: não tem cheiro! Aquele cheiro que se sente quando um tampão ou penso está ensopado - isso sim, é incomodativo, não para os outros mas para nós.

E não se sente? Não, não se sente! Depois de inserido, cria vácuo e nem se dá por ele. É uma maravilha! A primeira vez que o usei tive alguma dificuldade em retirá-lo, mas pensei: o máximo que me pode acontecer é ter de ir às urgências do hospital para mo tirarem. E não, não teria tido problemas com isso, afinal trata-se de um copo menstrual e não de nenhum objecto estranho.

O que mais posso dizer? Ler as instruções de manutenção!

"Ai, não tens vergonha de escrever sobre isto e te expores?" Meus amores, vergonha é roubar e ser apanhado, como se diz por aí.  Por que havemos de fazer de algo natural um tabu? Não é a Control Portugal que tem uma conta de Instagram que é, simplesmente, fantástica, original e divertida? E é sobre o quê? Sexo! 

Experimentem. Já há no mercado copos de vários preços e muitas vezes há promoções.

Ao longo da vida, uma mulher usa, em média 11.000 (sim, onze mil) tampões ou 10.000 a 15.000 pensos higiénicos. Um copo menstrual pode durar cerca de 10 anos, desde que a sua utilização e higienização seja feita da forma correcta.

Convencidas? Ou ainda não?

(os próximos posts ainda sobre boas práticas contemplam assuntos como: sacos de pano ecompras avulso, entre outros)

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Outubro Rosa


São centenas, se não milhares, as campanhas de prevenção do cancro da mama que surgem todos os anos, especialmente nesta altura. Por todo o lado se angaria fundos, se faz rastreios gratuitos, se distribui informação, entre tantas outras coisas. Até há monumentos que se tornam cor de rosa, sabiam? Basta uma pesquisa no Google e encontrarão referências.

E se parte da cura está na prevenção, essa está dependente apenas de nós! Não tenhamos receio de pedir e fazer exames, mostrá-los a quem percebe do assunto e não apenas ao "amigo-do-amigo-porque-o-amigo-tem-outro amigo". Em caso de dúvidas pedir segundas opiniões e procurar o que de melhor está ao alcance de cada um de nós. Acreditem que, qualquer que seja a decisão que se tome, esta é sempre a melhor que se pode tomar no momento. 

O auto-exame também é importante e, atenção, porque se qualquer caroço é, de certa forma, fácil de detectar numa mama pequena, numa outra de maior dimensão o mesmo já é mais difícil e encontrá-lo pode ser sinal de que algo mais avançado do que o normal já cresce no corpo. Não queremos que isso aconteça.


Se 85% dos casos detectados são dados como curados ao fim de 5 anos, há os outros 15% que não deixam de ser preocupantes. Além disso, esta é uma doença que não escolhe, propriamente, a idade nem o sexo. Dos cerca de 6000 casos diagnosticados, por ano, em Portugal, aproximadamente 1% acontece no sexo masculino. Portanto, senhoras e senhores, estejam atentos aos sinais que o vosso corpo dá.

Este assunto traz-me sempre à memória o caso de uma pessoa que, sem ser familiar, me é muito muito querida, ao ponto de lhe chamar "mãe da minha alma", e que seis meses depois de ter feito exames de rotina, teve um pressentimento e pediu que lhos fizessem de novo. Lá estava ele! O resultado foi uma mastectomia dupla com rejeição das próteses que, pouco tempo depois de terem sido colocadas, tiveram de ser retiradas. Não imagino a dor e o medo. Soube desta notícia no momento em que atravessava a Ponte 25 de Abril depois de um dia demasiado longo de trabalho em Lisboa. Chorei a viagem toda, de dor e de medo, mas que não estava nem próximo do que essa pessoa estaria a sentir. Felizmente, tudo acabou bem e ainda hoje a tenho comigo.

E foi por tudo isto que abracei o desafio proposto pelo Designer Algarve Outlet para divulgar a campanha de prevenção que estão a levar a cabo. O press kit que me enviaram é maravilhoso, mas que valor teria se fizesse apenas um comum unboxing com meia dúzia de legendas a dizer que era tudo muito bonito?? Isso é para as estrelas do Instagram, não para mim. Cada um faz o que sabe, o que pode e o que sente, por isso, vesti a camisola - neste caso um lenço concebido para este evento - e gravei um vídeo - despretensioso, caseiro e rudimentar - que pode ser visto na minha conta de Instagram.

Vela: Luhme     Lenço: Iela





domingo, 17 de outubro de 2021

Um ano depois...

Eu sei, eu sei...Passou-se um ano - e tantos acontecimentos - depois do último post aqui no blog.

- mais um ano de pandemia

- um confinamento mais prolongado, difícil e devastador

- uma incerteza tão grande que passei a viver um dia de cada vez sem pensar muito no que irá acontecer depois de amanhã

- mais aulas, mais verbo to be, mais Saramago

- a primeira semana de férias desde 2013!!! (um luxo!)

- e tantas, tantas outras coisas...

É triste, contudo é verdade. As redes sociais sobrepuseram-se ao poder do blog, mas sem dúvida é na escrita que tenho a alma. O Facebook não me custa nada, já o Instagram é quase ditatorial. Por vezes penso deixá-las para trás e regressar apenas ao blog, à origem, onde tudo começou, porém as redes são tão mais fáceis e apelativas,  e tão mais trabalhosas, mas dão muito menos trabalho. Parece contraditório, não é?

São também mais apressadas, de tal forma que se nos perguntarem qual foi o último post onde colocaste um like ou deixaste um comentário, provavelmente não temos a resposta na ponta da língua, porque o consumo é tão imediato que é como um flash que nos passa pelos olhos. Memória de peixe, diria.

E o que me traz hoje aqui? Nada em especial. Talvez a vontade de trazer luz a este cantinho que tem estado apagado. Vou limpar-lhe o pó, mudar as lâmpadas e dar-lhe vida - como se de uma casa fechada durante muito tempo se tratasse.

Confesso que ligar o dinossauro do meu computador, descarregar fotos da câmera, editá-las e depois escrever leva mais tempo do que aquele que tenho disponível. Vou fazer um esforço. Há tempos experimentei a app do Blogger de forma a fazer estas actualizações através do telemóvel, mas também ela parece ter ficado no ano do meu computador. Será que entretanto melhorou?

Vou experimentar!


Fica o meu olá e até já.


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

#amormaior


Os últimos meses têm sido, deveras, atribulados. Se por um lado o computador tem ficado encerrado, por outro a correria tem sido imensa e, confesso, quis aproveitar a praia até ao último momento que, só por acaso, coincidiu com o dia do meu aniversário.

Apenas na semana passada dei como encerrado o meu horário e, acreditem, este ano não foi fácil conjugar vontades, anos lectivos e horários a roçar o esquizofrénico. A isto, junte-se o facto de ter sido obrigada a preparar mais um espaço para conseguir dar explicações - não que o número de alunos tenha aumentado, mas as exigências do "bicho papão" assim demandaram. Ainda não chegámos ao fim de Outubro e uma das minhas mesas já está a perder a cor de tanto desinfectante...

Ainda assim, e porque as saudades já eram muitas, consegui arranjar tempo para regressar ao ballet. Pois é, um ano e meio depois de ter parado, voltei a calçar as sapatilhas e as minhas pernas já se queixam dos pliés eheheh Ahhh, mas sabe tão bem!

Ter conseguido regressar foi também motivo de reflexão. Reflectir sobre o quê? Bem, sobre as causas que me levaram a parar. Sem dúvida que a falta de tempo - horas livres - foi a maior, contudo a ausência de disponibilidade ditou a paragem. É que falta de tempo e falta de disponibilidade são duas coisas completamente diferentes. 

Tive um projecto entre mãos que acabou por não dar em nada, mas pouco tempo depois comecei com outro que está a dar frutos, que eu estou a adorar, que me deixa pelos cabelos mas que chegou na hora certa. Não se diz, por aí, que Deus escreve certo por linhas tortas? Ora, de tanto escrever aqui e ali, agora ganhei uma espécie de céu.

Eu sei que há muitas pessoas que me acompanham por aqui, e eu deixei este espaço entregue às ervas daninhas, mas não fugi e tenho estado mais presente no Instagram e no Facebook.

Tentarei escrever por aqui mais vezes... Deixa ver o que o futuro me reserva.

Agora, vou ali ao lado vertir o maillot, as collants e as meias-pontas pois o meu #amormaior espera por mim. 

...5, 6, 7 e 8. Primeira posição. Plié!

Pano p'ra Mangas

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Dia Mundial da Fotografia

Pelo que vejo só aqui escrevo de mês a mês, o que já nem é mau, tendo em conta a conjuntura. Vamos ver se é hoje. Para trás ficam alguns posts que não passam de rascunhos e que, relidos, já não fazem muito sentido. É o que dá escrever consoante os humores...
A propósito do Dia Mundial da Fotografia, estive há pouco a ver as minhas máquinas fotográficas - não que tenha muitas, mas as que tenho fazem parte da história da minha vida, cresceram comigo e eu com elas.

A minha primeira Kodac tem ainda um rolo 110 com 24 fotografias, sendo que metade ainda está por usar. Recebi-a de presente de Natal com 11 anos e a primeira foto que tirei com ela foi à minha avó. Lembro-me como se fosse hoje. Ela estava de roupão, a varrer o pátio e eu, sorrateiramente, tirei-lhe uma foto. Ficou tão zangada comigo... Levei cá um raspanete que nem imaginam. É que naquela época a fotografia era algo que ainda requeria alguma preparação - nem que fosse a roupa ou a pose - e apanhá-la assim, sem estar aprumada, foi um terramoto! Lamento não saber onde anda essa foto, mas no dia em que a encontrar, partilho-a aqui.

Por perto tenho, também uma Half Frame, que no espaço de uma foto tira duas e assim é possível construir histórias - storytelling em fotos, hein?! Foi-me dada pela minha irmã e em Londres era companhia certeira. Também esta tem um rolo lá dentro, mas há tanto tempo que já perdi o tino à sequência de histórias que comecei a construir. Como para obter este resultado, as fotos têm de ser tiradas aos pares, parece-me que já deve estar tudo desemparelhado.

Sempre à mão está, igualmente, a Instax Mini 8 que me foi oferecida pela Fujifilm Portugal numa viagem que fiz com a marca em 2014. Lembram-se? Entretanto já sairam umas quantas outras versões, muito melhoradas, bem como outros modelos que eu adoro.

Mais perto ainda tenho a Canon e a sua lente de 50mm. A 18-55 está avariada e confesso que não me apetece mandar arranjar - às tantas é só pó acumulado, o que impede que funcione. Não sei! Deste modo obrigo-me a angulos mais difíceis e a uma ginástica visual e corporal "obrigatória" para o uso da mesma. Confesso que não a tenho usado assim tanto. Todo o processo de tirar as fotos, descarregar para editar e blá bla bla se tornou aborrecido e pouco interessante. Falta-lhe o wifi, é o que é!| (desculpas...)

Por último: a câmera das câmeras - a do meu telefone! Sou incapaz de gastar muito dinheiro num telefone, mas tendo em conta que é também um instrumento de trabalho, o último que adquiri foi uma extravagância - pelo menos para mim!  - e adoro-o, pelo menos enquant não começar a crashar. Posso fotografar em modo manual, trabalhar só a abertura de lente, tem modo nocturno, enfim... Não é um Porsche, mas serve para o uso que lhe dou.

E hoje? Já tirei alguma foto especial? Não! Shame on me!!!!

Pano p'ra Mangas

sábado, 18 de julho de 2020

Faro: a cidade aberta ao mundo

Faz hoje, dia 18 de Julho, precisamente 7 anos - aquele número que dizem ser mágico - que regressei à minha cidade, após uma ausência de quase dois anos.

Lembro-me, perfeitamente, da sensação de ter regressado a um lugar diferente daquele que deixara em 2011. Faro, capital de distrito, apesar de ter um aeroporto internacional mesmo ao lado era uma cidade morta, com pouca ou quase nenhuma vida e onde o turismo era escasso.

Era. Tinha sido. Já não era mais.

Tornou-se um lugar atractivo e apetecível, onde os turistas foram aparecendo aos poucos, não só no Verão mas ao longo do ano inteiro. E não me refiro apenas a turistas estrangeiros, os próprios portugueses começaram a ficar por aqui - afinal, estamos no centro litoral do Algarve e estamos mais ou menos equidistantes da fronteira com Espanha e com o lugar "onde a terra se acaba e o mar começa", segundo Camões.

2020 prometia ser um ano extraordinário, mas algo maior que o nosso poder chegou e arrasou aquilo que tem levado anos a construir: hotelaria, restauração, museus, até as ligações aéreas... Ainda assim, não se pode baixar os braços e tudo deve ser feito para que as portas não fechem - é que queiramos, quer não, uma porta fechada é sinal de que toda uma pirâmide, outrora forte, desmorona.

Quem me segue há mais anos sabe que, de vez em quando gosto de vestir o papel de turista e saio à rua de máquina fotográfica na mão para explorar as ruas como se as olhasse pela primeira vez. O que faço de seguida? Aqui, ou numa das redes sociais onde o Pano p'ra Mangas - Facebook e Instagram -  está presente, partilho aquilo que os meus sentidos captam no momento.
Hoje, apetecia-me voltar atrás no tempo, aterrar novamente no Aeroporto Internacional de Faro e ver a a cidade a crescer. Depois, apagaria 2020 do calendário. Quem sabe se este 7 - o número que referi no início - não é sinal de um recomeço?

Para recomeçar proponho uma visita ao passado - não num tom saudosista, mas num tom de como é bonita a minha cidade.

As ilhas:
Ilha do Farol ... outra vez!

Para passear:
Onde comprar:

Lugares com história:
Palácio de Estoi ... que nunca cansa!

Saborear:

Eventos:

Que este por do sol represente o nascer de um novo dia, já amanhã!


domingo, 28 de junho de 2020

Quase no fim...

... o ano que, definitivamente, mais me marcou nos últimos tempos. 

Continuo a contar os anos pelos períodos lectivos, talvez pelo facto de o meu aniversário ser em Setembro, quando as aulas começam ou porque a minha actividade principal tem fim a cada mês de Maio ou Junho - conforme se tenho alunos para preparar para exames, ou não.

E porque é que este 2019/2020 foi assim tão marcante? Por várias razões... Foi marcado, indubitavelmente, por desafios do caneco, com um bicho invisível pelo meio, que tenho conseguido manter afastado do meu meio.

Houve fins. Houve princípios. Houve reinícios. Houve pausas. Houve lágrimas de tristeza, desespero e súplica. Houve desilusões. Houve sorrisos, sonoras gargalhadas e felicidade. Houve surpresas. Tudo isto emoldurado por palavras - muitas palavras!

Já o ano lectivo ía em modo up and running quando surgiu o convite para dar aulas de Escrita Criativa. Hesitei. Tive medo. Era como pisar um palco pela primeira vez em que a plateia é pequena e te julga de alto a baixo, mede as tuas palavras, estuda os teus gestos, ouve - quase sempre - os teus erros e não te poupa a críticas mordazes. Embora já tenha passado muito tempo, lembro-me bem do que era ser aluna, mas também me lembro a primeira vez que pisei uma sala de aula com 23 anos acabados de fazer e nenhuma experiência. Aceitei o desafio! Não digo não a um bom desafio! Afinal, era o concretizar de mais um sonho de menina, do qual fui obrigada a desistir pouco tempo depois de ter terminado a faculdade.

A verdade é que não há, que eu saiba, licenciaturas em Escrita Criativa, mas cinco anos de Estudos Portugueses, a ler há quarenta anos,  mais de vinte a escrever por aqui e por ali e quase dez a dar explicações para alguma coisa me servem.

Fui "praxada" logo na primeira aula. Entusiasmada, comprei canetas coloridas para quadro branco - apesar da existência de um quadro de ardósia na sala - e, movida pela frescura escrevi, com orgulho, o sumário daquela que era a minha primeira aula. O burburinho nas minhas costas deu origem a um silêncio sepulcral. Viro-me e há uma aluna que - de riso encolhido - me diz: "Pr'ssora, isso é o quadro interactivo!". Ía morrendo! Vi a minha vida a andar para trás. No final foi risota pegada e tudo não passou de um susto. Lição aprendida: passei a usar o quadro de ardósia!

A meio do ano e de forma abrupta viemos todos para casa. Contudo, não foi por isso que o ritmo abrandou... Os primeiros quinze dias foram de desconcerto, desorientação e receio. Confesso que, ingenuamente, pensei que este recolhimento durasse apenas duas semanas. Só que não!
À medida que as notícias íam avançando, fui perdendo explicandos... not good! Ainda assim, aceitável. 

As aulas e explicações começaram a ser feitas a partir de casa. Primeiro só com trabalhos e depois via Zoom e Teams. Improvisei um canto que não invadisse a minha privacidade e que, em simultâneo fosse agradável a quem me visse do outro lado do ecrã. Decorei-o com as minhas pessoas, e com momentos bons - tinha de haver algo positivo no meio de tudo isto.
O cansaço foi levado, muitas vezes, à exaustão. 

Houve dias em que me sentava ao computador às 9 da manhã e me levantava às 9 da noite.
Houve dias em que fiquei sem voz.
Houve dias em que tive de adiar aulas porque as náuseas eram insuportáveis.
Houve dias em que achei que o meu velhinho computador já não aguentasse.
Houve dias em que tive de ir buscar um segundo par de óculos para colocar em cima dos meus e, como se não chegasse, ainda usava o zoom da camera do telemóvel para conseguir ler.

Graças a Deus nunca tive de me preocupar com refeições e isso foi uma verdadeira benção. 

Não sei como será em Setembro. Setembro é sempre tempo de mudanças - e na minha vida já houve tantas, como escrevi há uns meses...

Sei que tenho saudades dos meus miúdos: de lhes colar - na brincadeira - um ponteiro à testa para ver se a matéria entrava melhor, de lhes abrir os olhos e torcer o nariz, de rir com eles, de ser confidente, de lhes fazer bolos para o lanche, de celebrar cada uma das suas vitórias pessoalmente. 

Mas sei que os meus explicandos não precisam de ser de Faro... Eles podem chegar-me de qualquer ponto do país, pois o trabalho que foi desenvolvido individualmente com cada um deles não perdeu qualidade. Continuo e continuarei a dar-lhes a cana para que aprendam a pescar.

Só darei por terminado o ano depois das reuniões de avaliação - e ainda tenho algumas grelhas por preencher!

Fica, desde já o meu MUITO OBRIGADA a todos os que se mantiveram comigo nestes meses tão diferentes quanto duros.

Pano p'ra Mangas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Blogging tips