quinta-feira, 18 de outubro de 2018

"Aceita-te tal como és!"

Hummm, por aqui há tanto para dizer...mas o que quero partilhar convosco é uma opinião muito pessoal - que com certeza não é só minha, afinal great minds think alike eheheh Esta moda do Aceita-te tal como és, não passa de uma grande ratoeira veiculada pelos media, sobretudo pelas redes sociais. 

"Bateste com a cabeça, Margarida?" Não, não bati! Mas podem bater-me à vontade. Contudo, convido-vos a pensar comigo.

Até há uns anos imperava o culto da magreza. Certo? São tantas as histórias de raparigas que, para serem magras, cometiam verdadeiros crimes com o seu corpo e com a sua mente. Não precisam que vos vá buscar relatos de anorexia ou bulimia - isto só para falar nas doenças mais conhecidas - pois não?

Coitadas das gordinhas. E estou a usar um diminutivo num eufemismo irónico porque quem tem peso a mais não se sente gordinho. Sente-se gordo, obeso, um elefante ou uma baleia. Infelizmente é assim, e eu sei do que falo. As gordinhas riem-se, são divertidas, são fofinhas e são as queridas, as amigas, as melhores pessoas do mundo. Mas serão mesmo? Serão mesmo tudo isto? Ou serão assim para esconder alguma frustração? Tantas vezes que se riem para não chorar, tantas vezes que são as amigas quando, na realidade queriam ser as namoradas, tantas vezes que são queridas só pelo medo da rejeição...  E não vou eu aqui falar no que respeita a ofertas/entrevistas de emprego: "dois palmos de cara e meio palmo de rabo" ainda prevalecem sobre o factor "dois dedos de testa". Enfim...

Continuemos...

Depois de polémicas com modelos que desmaiaram em desfiles ou que chegaram a cometer suicídio, a industria da moda veio dar algumas tréguas a este culto da magreza. Nas campanhas publicitárias começam a aparecer corpos "normais" e algumas marcas de roupa voltaram a fabricar números decentes. Pessoalmente, adoro as campanhas da Dove que, mesmo assim me deixam a pensar, e já explico porquê.

Surgem, também, livros que prometem perdas de peso fantásticas segundo métodos mais ou menos fiáveis. E não são um nem dois. São às dezenas! Basta ir a uma livraria e passar pela secção de saúde e bem-estar. Por um lado é fantástico, pois um livro custa menos que muitas consultas num especialista; por outro pode ser um risco para a saúde de quem cumpre todos os itens das dietas universais. A par dos livros aparece a moda desenfreada dos ginásios, do ser fit, de ter um six pack bem definido e uns glúteos bem tonificados - acham que não? Basta fazer contas ao número de cadeias de ginásios que surgiu nos últimos anos...são mais que as mães! Nem os vídeos da Jane Fonda lhes fazem frente!!!!

Até aqui tudo bem. Estamos a trabalhar para uma população mais saudável, menos sedentária e com hábitos que, com certeza lhe trará mais anos de vida. Há quem consiga atingir os objectivos e há quem - por mais de milhentas razões - não chegue nem perto. E não se trata de falta de vontade ou empenho, pois às vezes há questões de saúde que não permitem que isso aconteça.

E é aqui que surge a ratoeira da aceitação... 

Nas redes sociais, em particular o Instagram que vive da imagem, surgem mulheres - vou só falar das mulheres, ok? - que exibem gordura, celulite, marcas (naturais ou não), flacidez num quase grito de liberdade onde se lê "Eu sou assim. Eu também tenho celulite. E depois? Aceito-me como sou!"

E atrás destas surgem outras, e outras e mais outras... 

Pois... Mas será assim mesmo? Confesso que tenho alguma dificuldade em acreditar. Até podem ser tentativas de aceitação, mas lá no íntimo o que estarão a pensar estas mulheres? No momento em que publicam a foto até podem gostar daquela casca de laranja que mais parece um laranjal, mas e no minuto seguinte? Ninguém se aceita a 100% o tempo inteiro! 

Por outro lado há quem esteja a ser devorado por estas imagens. E muitas ficarão a pensar: " Eu também sou assim. Eu também tenho aquela celulite. Eu também me deveria aceitar como sou! Mas como, se eu não gosto do que vejo? Se eu não gosto do meu corpo? Ahhh, espera...eu tenho muito mais celulite! É por isso." Mentira... às vezes não se tem... O espelho é um traidor e o cérebro é o seu maior cúmplice - ou vice-versa.

Aqui entramos num ciclo semelhante ao que já mencionei anteriormente, o ciclo da frustração. A verdade é esta: a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha! E não se trata de inveja, mas sim de uma incapacidade enorme que temos de sermos felizes com o que somos numa proporção de 100/100.

A verdade é que o Tico e o Teco andam em permanente luta pela posse da avelã e nenhum deles sai vencedor. Por um lado "Aceito-me como sou!" e por outro "5 exercícios para perder a barriga em 20 dias" ou "perca 6kg em 4 semanas". E nem vou comentar a capa de uma das últimas edições da Cosmopolitan UK...

Aceita-te tal como és, mas se queres e podes ser mais, faz por isso. Não encolhas os ombros a algo que não te deixa feliz. 

Pronto, agora já me podem atirar pedras. Ou então, de uma forma construtiva, deixarem nos comentários a vossa opinião sobre este assunto que está tão na berra.


domingo, 14 de outubro de 2018

365 Algarve, porque todos os dias contam

O Algarve não é só sol e praia!
O Algarve não é só discotecas pop up durante o mês de Agosto!
O Algarve não é só festivais com cheiro a sardinha e mãos a saber a marisco!
O Algarve tem vida o ano inteiro: tem concertos, exposições, teatro, ... tem tanto, mas tanto para oferecer a quem cá está ou por cá passa em todos os meses do ano.

(Bem, se quiserem ir para a praia em pleno mês de Dezembro, isso é lá convosco! Eu prefiro um concerto ou uma peça de teatro numa das muitas salas que há por aqui)

Ahhh e como eu gosto deste Algarve que cresce além da cordilheira montanhosa que o separa do resto do país e faz com que as pessoas o vivam o ano inteiro. É bom viver este Algarve, sabiam?

Um pouco por isto nasceu o 365 Algarve cuja terceira edição arrancou na semana passada com a apresentação à comunidade do programa que lhe vai dar vida e, como os bons momentos são para recordar, também houve espaço para relambrar o que já foi feito.

Tudo isto entre discursos protocolares, o reencontro de caras que há muito não via e um copo de rosé. e muita animação. A noite não podia ter sido melhor escolhida, pois parecia Verão, embora o por do sol já denunciasse uma luz de Outono.

Para o ano de 2018/2019 foi eleito o tema da Viagem. Porquê? Porque este 365Algarve será como uma viagem a realizar por quem nele embarcar. Entre o mar e a serra e mais de 400 espectáculos será possível assistir a concertos, teatro, visitas ao património cultural do meu Sul.

E como eu costumo dizer, sou movida a curiosidade, por isso, só nos próximos três meses de 365 Algarve há mais que uma mão cheia de eventos que vou querer ver.

A que é que vou querer assistir? Ui, a escolha é difícil, mas posso deixar-vos já o que o bicho curioso anotou na agenda:

LUZA - Algarve International Festival of Light, em Loulé, nos próximos dias 1, 2 e 3 de Novembro. Conheço o trabalho do mentor deste projecto há muitos anos, pelo que acredito que se superará - aliás, o Beau supera-se sempre! Ele é incrível. Não posso perder a Torch Light Parade, a qual une artistas e público no evento de abertura.

Antes disto, quero ainda fazer uma Visita Encenada no centro histórico de Faro. Se não me falha a memória, a primeira acontece no dia 28 de Outubro pelas 11h. Por que razão quero participar num acontecimento que é para maiores de 6 anos? Ora, porque é na minha cidade e por, às vezes me sentir ignorante relativamente à sua história... E mesmo que saiba alguma coisa, tenho a certeza de que vou aprender mais!

CATAPLAY - que irei assistir na Tertúlia Algarvia. CATAPLAY é um espectáculo que pretende desvendar as origens de um dos utensílios mais misteriosos da nossa cozinha, a cataplana. 

É obvio que tinha de haver algo comestível aqui neste programa cultural, por isso é que também já coloquei na agenda uma visita ao Festival da Batata Doce, em Aljezur. Espero, por esta altura, já ter deixado para trás os quilinhos que pus no Verão, para poder abusar um bocadinho eheheh

Tenho a certeza que serão meses inesquecíveis na agenda do meu Sul. Depois não me venham dizer que por cá não se faz nada, ok? Vejam só como foi no ano passado:




E se quiserem ficar a par de todas as novidades, consultem o site e as redes sociais do 365 Algarve. Está lá tudo!!!!

Fotografias e video cortesia 365 Algarve. Obrigada!


Pano p'ra Mangas

domingo, 30 de setembro de 2018

Lisboa e os seus lugares instagramáveis

Há umas semanas andei a passear por Lisboa, coisa que não fazia há demasiado tempo...
Quem me acompanha, pelo menos desde os tempos de Londres, sabe que gosto de ir a lugares bonitos - não só pelas fotografias que proporcionam, mas para deleite dos meus olhos e da minha imaginação. E se a estes lugares bonitos aliarmos a simpatia de quem nos atende, então podem encontrar em mim uma pessoa feliz.

Lisboa fervilha de vida em línguas que não a de Camões e o que é estranho para os lisboetas - ainda não habituados falarem naturalmente com eles em inglês -, vive dentro de mim desde sempre, ou não fosse eu natural desta região além-Tejo há muito tomada por povos bárbaros, desde os Mouros aos Vikings... se bem que os mais bárbaros de todos são mesmo os Portugueses que invadem o Algarve durante o mês de Agosto! (arre turista mal educado e prepotente!!!) 

E não pensem que não faço o mesmo... quantas vezes não me dirijo eu a pessoas, em Inglês, e no final são tão portugueses quanto eu? Bem, línguas à parte, vamos ao que interessa: lugares bonitos! São tantos, que é impossível incluí-los a todos num roteiro de fim-de-semana, e caso o fizesse, das duas uma: ou não teria feito mais nada que comer e beber e fazer compras ou estaria a ir buscar informação a outros lugares que não à minha vivência.

Ora bem, das compras é sempre possível escapar, mas de um café, um almoço ou um jantar não se pode fugir.

Sou daquelas pessoas que não gosta de tomar café ao balcão. Gosto de me sentar, desfrutar, apreciar quem entra e quem sai, o que vai para cada mesa... Não é propriamente curiosidade. É quase um estudo... Tenho a certeza que não sou a única. E é por isto, que o primeiro lugar onde me sentei, depois de uma longa caminhada pela Graça, foi o Copenhagen Coffee Lab & Bakery em pleno coração da Feira da Ladra. 


É um lugar simples, despido de luxos e apenas com o essencial, mas um essencial com pinta! Nas cores - ou ausência delas - nos materiais, no design... Hã? Sem luxos, com pinta e com design? Ah pois é! E com uma variedade de cafés de pães de comer e chorar por mais. Pedi um Flat White com um Cardamom Bun e, dada a hora tardia foi uma espécie de almoço com sabor a sobremesa. Simplesmente delicioso! E bonito! 

Ir daqui até à Baixa pode revelar-se um autêntico pesadelo! A quantidade de turistas é tal, que só cortando caminho pelas ruas menos frequentadas nos leva ao destino a horas decentes. E é nestas ruas que se descobrem verdadeiras pérolas, como a Prado Mercearia. Mais um lugar onde a qualidade dos produtos está aliada à beleza do espaço e à simpatia de quem nos atende. Em cima do balcão e num expositor de farinhas diversas vendidas avulso encontro um cheiro do meu Sul: estrelas de figo com amêndoa e xerém (que é como quem di, farinha de milho grossa para fazer as nossas deliciosas papas). Entrei para ver, apenas. Mas quero lá voltar quando estiver no caminho inverso, isto é, numa ida para casa, para fazer umas compras.

E nestas voltas, as horas no relógio vão passando. As dores nos pés também vão aumentando e, não tarda muito apetece sentar mais um pouco. Mas é cedo para jantar... Vou a casa, descanso um pouco e regresso ao Chiado, mesmo a tempo de não ter de esperar na rua por um lugar sentado no Boa-Bao!
 
A esta hora o contador de passos no meu telemóvel já ultrapassou os 20.000...

Mais um lugar bonito, com um atendimento simpático e onde o primeiro cumprimento chega em inglês. É o hábito dizem-me. Não levo a mal e brinco com a situação - de que serve reclamar? Eles dão o seu melhor!

Não tenho muita fome, mas o apetite abriu-se assim que o menu veio para a mesa e comecei a ver circular pratos para outra mesas... Fiquei-me pelas entradas, pois o apetite foi só dos olhos! Tem tudo tão bom aspecto! E é, na realidade, saboroso, como pude confirmar de seguida. Uma hora depois estava na rua e mal podia acreditar na quantidade de pessoas que, entretanto se tinha acumulado na rua e, alegremente, desfrutava de dois dedos de conversa e uma bebida.

Passear por Lisboa é isto e muito mais. É ver amigos. É, sobretudo, estar com a mana. É revisitar espaços familiares e descobrir outros novos. É passear no anonimato. É adiar cafés com outros amigos e apalavrá-los para próximas visitas. É atravessar o rio só para ir à outra margem e ver a cidade de uma outra perspectiva. É beber civilização! 

Eu sei, Faro está a crescer e eu sou a primeira a reconhecê-lo, mas quer queiramos, quer não, esta "civilização" leva cerca de dois anos a cá chegar. Não é só o espaço. É, sobretudo, a resistência das nossas gentes ao que é novo. Eu acredito que isso esteja a mudar, e para melhor!

Pano p'ra Mangas

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Bye bye 43!

Hoje despeço-me dos 43. Deixo-os com um sentimento estranho - estarei eu a sentir o peso da idade? Penso que não será isto, mas não consigo identificar o que é.  É aquela sensação de que amanhã pela manhã serão 44 e daqui a 366 dias serão 45. Bahhh, mas o que é isto?

Idade à parte, esta é a altura em que, habitualmente, faço balanços e planos - mais do que no dia 31 de Dezembro.

Ora deixa cá ver...

O ano dos 43 foi um ano francamente positivo. Obviamente teve os seus momentos menos bons, mas isso são coisas que só eu posso resolver, pois não dependem de mais ninguém. Tenho saúde, tenho família, tenho amigos, tenho um tecto e trabalho - umas vezs mais, outras menos - não me tem faltado. E mais: faço o que gosto e gosto do que faço! E isso é tão importante... Tenho a possibilidade de ter actividades que me preenchem: o ballet - que é o meu Amor Maior; o ginásio - que é como um "emplastro" de que aprendi a gostar; o blog - ao qual dedico uma boa parte do meu tempo a troco de nada.

E agora? O que fazer com estes 44? Aiiii, que ainda me custa dizer este número. Mas tenho de o interiorizar, pois amanhã já ninbuém mos tira. Isto é o equivalente a ter 22 em cada perna, ou 11 em cada membro - cum caneco!

Acredito que já esteja a viver a segunda metade da minha vida - e não digo isto com um tom derrotista de que o mundo vai acabar. Não. Não é. Sejamos realistas. Se eu viver até aos 88 já poderei dizer que tive uma longa vida. E quero vivê-la da melhor forma possível!

Voltemos aos 44... o que desejo? Tanta coisa e coisa nenhuma...

Quero colocar em prática um projecto que está em banho maria e que tem a ver com duas das actividades que mais prazer me dão fazer. Não, não são actividades físicas.

Quero conseguir tirar uns dias de férias fora daqui, longe de casa. Férias de hotel. Férias de dolce fare niente. Onde quer que seja. Com quem quer que seja - ou sozinha...logo se vê.

Quero manter-me firme ao compromisso comigo própria de continuar a praticar exercício físico - é que tomei o gosto pelo mesmo e só o calor me derruba e me impede de mexer duas pernas de seguida eheheh

Quero ser mais arrumada. Ahhh, pois é - eu, desarrumada, me confesso! - sou mentalmente arrumada e organizada, mas fisicamente sou um caos! Por vezes nem eu me entendo na minha própria desarrumação - e nem sabem o quanto eu sofro com isso...

Quero substituir alguns "ou" do meu quotidiano e da minha vida por muitos "e". Isto de ter sempre de escolher torna-se frustrante. Às vezes apetecia-me ter o prazer de não ter de o fazer...

Quero escrever mais aqui. Nos últimos dois anos tenho descurado um pouco a escrita no blog, mas nem sempre é fácil criar conteúdos diferentes para três canais distintos: facebook, instagram e blog. "Diferentes?" - sim, raramente replico conteúdos, a não ser quando partilho os posts do blog no facebook - e isto dá uma trabalheira do caneco!

Quero preparar-me para uma TEDTalk. A sério? Claro que é a sério! É um sonho que eu tenho e para o realizar tenho de o trabalhar. Não basta continuar a dizer que o quero fazer.

Ahh, Margarida, então e aquelas cenas bonitas do altruismo, do voluntariado, do ajudar os demais? Sabem que mais? Essa parte guardo-a para mim. Não é preciso expo-la aqui. Nem aqui, nem em lugar nenhum.

E pronto. É isto. Os meus 44 vão ser assim e ainda melhor. Vou ser ainda mais feliz - porque graças a Deus (ou a quem vocês quiserem) eu aprendi e sei ser feliz com as pequenas coisas da vida.

Até para o ano! Que é como quem diz...até amanhã!


Pano p'ra Mangas

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Crumble de figos frescos


Quando chega a época dos figos, o seu percurso mais normal - aqui em casa - é: árvore-cesto-mesa-yuummmm! Com casca e tudo. Sem serem lavados. Ooopppss! Pois... é que estas figueiras não têm qualquer tratamento a não ser a água da chuva, por isso...


Há dias disseram-me que os figos, no mercado, estavam caríssimos. Confesso que não faço ideia, pois é daquelas frutas que nunca me lembro de alguém ter comprado aqui para casa, uma vez que em Junho chegam os figos lampos e - salvo raras excepções -, as figueiras carregam até não poderem mais, e por esta altura chegam os figos pingo de mel e os pretos.

Às vezes também os como com queijo ou com presunto, mas que eu me lembre nunca os tinha cozinhado. Há sempre uma primeira vez! Procurei uma receita de Crumble de Figos que me agradasse e como não encontrei nenhuma, fiz a minha. Provavelmente não é original, mas para que não se perca fui tomando nota - no primeiro papel que apanhei à mão! - da mesma à medida que me ía adicinando os ingredientes. Já a provei e tenho de lhe fazer uns ajustes, nomeadamente no açúcar, que terá de ser reduzido ao mínimo, pois os figos já têm doce mais que suficiente.


Ainda assim, e porque mesmo doce está muito bom, deixo-vos a receita.

Para o crumble:

100gr de farinha de aveia
40gr de flocos de aveia
110gr de manteiga 
80gr de açúcar amarelo (se não levar nenhum não deve fazer muita diferença...)
75gr de nozes

Para o recheio:
600gr de figos frescos cortados em quartos
sumo e raspa de uma lima

Cortar os figos, salpicar com a raspa de lima e regar com o sumo. Reservar num tabuleiro de forno.
Na Bimby juntar todos os ingredientes para o crumble e programar 10seg/vel5. Deitar esta massa areada sobre os figos e levar ao forno a 200ºC durante 30 minutos (a relação temperatura/tempo pode variar de forno para forno)

Servir quente ou frio.  Fica a sugestão que pode ser acompanhado de uma bola de gelado de lima, de baunilha ou nata.


Bom apetite!

Pano p'ra Mangas

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ser blogger, instagrammer, influencer, whatever...

Imagem: Pixabay


...nos dias de hoje não é fácil!
Ora montemos o cenário:

Tens um blog, meia dúzia de seguidores, que podem variar entre os 1000 e os 5000 - mais coisa, menos coisa e, na tua cabeça queres mesmo fazer disto a tua profissão (à laia dos miúdos que sonham ser o próximo Cristiano Ronaldo). Vives nas brenhas, que é como quem diz, nos arrabaldes, ou - na pior das hipóteses - onde Judas perdeu as botas (tipo Caminha ou Vila Real de Santo António, passando por Marco de Canavezes e Faro). 

O que é que tens de fazer? Ou te mudas para a capital - e não falo de Paços de Ferreira, que aí é só a capital do móvel...ou era, antes do aparecimento do IKEA - Lisboa, onde tudo acontece, e te mexes para entrar “no meio”, ou então, caso não queiras ou não possas sair da santa terrinha vais ter de penar muito.

Continuamos com o mesmo blog: podes sempre comprar seguidores e likes para o fazer crescer - mas só aparentemente - a tua comunidade e, de repente, passas a ter 30.000 fãs vindos do Bangladesh, da Rússia ou do Brasil. Neste caso aconselho aumentares a tua competência linguística noutras línguas para além do português, pois mesmo sabendo que os comentários são gerados por bots vais querer fazer parecer que a coisa é orgânica e deverás responder-lhes. Também podes ir a lugares e festas, pagar e fingir que foste convidado/a - não me parece que resulte, mas não se pode descartar nenhuma hipótese. Até as mais absurdas!

Entretanto, os teus números já cresceram um bocadinho. FANTÁSTICO! Aconselho-te a construir o teu media kit - onde poderás falsificar os valores, pois com base nos tais seguidores do Bangladesh, eles até parecem verdadeiros e ninguém os vai verificar.

As fotos têm de ser boas, certo? Errado! Elas têm de ser muito boas e mega editadas! Contratas um/a namorado/a ou whatever que te siga para todo o lado com a máquina fotográfica, fazes uma pesquisa por "poses para fotos" no Instagram ou no Pinterest, treinas um bocadinho ao espelho - no worries, practice makes perfect, que é como quem diz, a prática faz a perfeição,  e colocas na bagageira do carro: roupas, óculos de sol, sapatos, bebidas, cereais, iogurtes, queijos e leites (ainda que sejas vegan - isso não importa para o caso e é capaz de valer o sacrifício!). Essencial: todos os bens que leves para fotografar deverás poder devolvê-los de seguida (aconselho a leitura atenta das políticas de trocas e devoluções das lojas onde fores fazer compras), caso contrário não há orçamento que aguente. Lembra-te, também de passar num take away e levar um hamburger com tudo ao que o mesmo tenha direito, batatas fritas inclusivamente. Porquê? Porque isto de tirar muitas fotos dá fome e assim não se desperdiça tudo, porque podes aproveitar para fazer umas stories enquanto te delicias com o dito cujo (lembrar de tagar a cadeia de comida processada) - as stories desaparecem em 24 horas, tal como a memória das pessoas se desvanece, por isso guarda para o feed e para o blog as sementes, as saladas e o “eu só como saudável”.

Continuas na santa terrinha? Bem, com tanto esforço e com uns mails pelo meio lá consegues chamar a atenção de uma agência que, tem pena de ti, e te começa a enviar tralhas para casa - aquelas que mais ninguém quer. O primeiro unboxing é uma excitação - lembra-te de fingir que não sabes o que vem dentro da embalagem e parecer surpreendido/a. Tiraste fotos, fizeste videos. Agora só tens de partilhar com a tua comunidade do Bangladesh, do Brasil e da Rússia - não vão pescar nada, mas o que é que isso interessa? Chovem likes e comentários do género: "Wow, great photo!" ou "I love your feed!" Estás lá! É isso mesmo.

Passadas umas semanas recebes mais uma tralha da mesma marca da anterior, olhas para a coisa e pensas: "O que diabo vou fazer com isto?". a dúvida e indecisão estão semeadas. Se produzes algum conteúdo com a coisa, certamente dentro de umas semanas irás receber mais tralhas em casa; caso não o faças, o teu nome será riscado da mailing list. Mas o teu objectivo é mesmo viver disto, não é? Pois... então o melhor será arranjar uma arrecadação para guardares os teus presentes, ou então podes guardá-los para distribuir em aniversários ou no Natal, é que hoje recebes um espanador de pó (de tecnologia de ponta) mas com jeitinho amanhã já recebes uma viagem a Marraquexe (esta dá para oferecer ao namorado/a, pois de certeza irás precisar de alguém que te tire fotos)

Afinal resolveste mudar-te para Lisboa. Que bela decisão! É aí que tudo acontece: lançamento de novos produtos, activações de marca nos sitios da moda, cursos e workshops!!!! Wow! As oportunidades são muitas, vais poder aparecer. PARABÉNS!!! Mas lembra-te: é uma selva! E a selva está cheia de perigos... Nesta selva o leão é amigo da gazela, por muita vontade que tenha de lhe saltar em cima e de a comer. Assim, com estas palavras todas e sem segundos sentidos, ok? Que o Pano p'ra Mangas é um blog familiar.

Preparado/a para a vida na selva? Então é assim: cuidado com as tuas opiniões pessoais. Deixaste de as ter. Cresceste. A tua pessoa, a que fez nascer o blog morreu. És a gazela amicíssima do leão, ou vice-versa (mas só em público, descansa...), hoje comes alimentos processados, mas amanhã,só entra em casa o que for biológico, morres de amor por uns stilettos quando na realidade andas de ténis. É assim. 

Podes começar a dispensar os seguidores dos países longínquos, porque por cá já tens o teu rebanho. É como uma seita que te venera. Contudo, com a seita aparecem também os da oposição - também conhecidos por haters, que estarão à espera da primeira fatia de pizza para te atirar do pedestal abaixo. Ou pelo menos tentar...

BOA SORTE!

At last, but not the least: compra um dicionário e uma gramática ou contrata um ghostwriter que saiba, efectivamente, escrever.

Vêem como é difícil? Obviamente fiz um retrato satirico da coisa...mas no fundo é assim.


Nota: não tenho nada contra as pessoas dos países supra citados, contudo verifica-se a existência de muitos perfis falsos com origem nos mesmos e que servem apenas para efeitos de números.

Pano p'ra Mangas

domingo, 5 de agosto de 2018

Favourite places: Chelsea Coffee & Brunch


Faro está uma cidade diferente. Mais activa e repleta de lugares bonitos onde apetece ir.  Se me perguntarem onde jantar ou almoçar, confesso que até tenho dificuldade em indicar um sitio, pois há mesmo muitos espaços novos e variados, com ou sem esplanada e que servem pratos diferentes a horas diferentes.


Há cerca de um mês abriu o Chelsea Coffee & Brunch e há uns dias estive lá , a convite da Baixa de Faro, para o conhecer. Dada a hora a que chegámos (por volta das 20h) já não tivemos hipótese de experienciar nenhum dos pratos de brunch que estão na carta, uma vez que estes são servidos até às 19h... Foi pena! Por outro lado, se tal tivesse acontecido, não nos tinha sido dada a hipótese de experimentar um café preparado a preceito, numa espécie de ritual, em que o café é moído na hora e minuciosamente pesado e preparado com a quantidade de água correcta. Em Lisboa ou no Porto até já há lugares onde esta é uma prática comum, mas que eu saiba, em Faro é mesmo uma novidade - e novidades (boas!) são sempre bem-vindas.

O café é, simplesmente, delicioso!


A pastelaria é requintada. É bonita. Calculo que seja saborosa... (é que não cheguei a provar a tarte de framboesas usada nas fotos)

De todos os pratos do menu, aqueles que me deixaram curiosa foram os Ovos Benedict - um dos meus pequenos-almoços/almoços preferidos do tempo em que vivi em Londres - e as Tapiocas - simplesmente porque quando faço em casa não atino com a coisa.


Assim, durante a semana fui lá duas vezes. Numa primeira incursão deliciei-me com os ditos ovos, aos quais adicionei espinafres e salmão. Numa segunda ida, pedi uma Tapioca com ovos, cogumelos, abacate e ovo. As doses são generosas, por isso não há como ficar com fome - para dizer a verdade deixei comida no prato... Estava tudo muito bem temperado, mas ligeiramente tomado de sal, facto que comuniquei ao proprietário - pode ter sido um descuido do Chef, mas em dias de calor e numa época em que se combate o excesso do mesmo, há que haver moderação no  seu uso.


O Chelsea Brunch & Coffee prima, também, pelo bom gosto da decoração. Além da esplanada, tem três salas diferentes, cada uma com o seu toque de originalidade. Apesar de ser Verão, eu diria que vai ser um lugar muito aprazível durante o Inverno.

Se é para voltar? Obviamente que sim, até porque ainda há muitas coisas boas no menu para provar.

Fotografias: (excepto a última que tirei com o telemóvel*): Ricardo Bernardo para Baixa de Faro

*publicidade à parte, para um telefone de 150 euros as fotos são bem boas!!!

Pano p'ra Mangas
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