sexta-feira, 29 de junho de 2018

Um luxo de férias: H2otel Congress & Medical Spa

Chego a Junho sempre estoirada e este ano foi particularmente cansativo, pois trabalhei que nem uma doida durante Abril e Maio, com poucas folgas, quase ou nenhum descanso - às tantas contabilizei 29 dias seguidos de trabalho sem parar. A formiga trabalha no Verão para sobreviver o Inverno e eu faço exactamente o contrário. 
Tive de parar. Dois dias (!!!!) sem uma pontinha de trabalho foi o luxo a que me dei. No ano passado foi-me oferecido um voucher para o H2otel Congress & Medical SPA e andei a reunir condições para o poder usufruir sem grandes preocupações. Marcação feita. Tanque atestado. Pneus novos no carro e lá fui eu...

arquitectura do espaço é, simplesmente fantástica - por dentro e por fora - e é impossível ficar-lhe indiferente. Jorge Palma, o arquitecto - homónimo do outro Jorge Palma, que canta e compõe - , tem um portfolio de cair para o lado e este hotel é uma autêntica joia. Está completamente integrado na paisagem e, de longe, nem se dá por ele - não que não seja imponente, mas porque se confunde com a envolvência, quer pelos materiais, pelas cores ou pela própria estrutura - mas isto sou eu a divagar, pois nada percebo de arquitectura.
A meio da viagem, que foi muitooooo longa, apanhei a minha irmã e lá fomos nós celebrar os 13 anos de Pano p'ra Mangas. Esta viagem/férias/celebração só fazia sentido na sua companhia, pois este blog nasceu pelas nossas quatro mãos.

O H2otel fica em Unhais da Serra, também conhecido como Vila Amor (há montanhas de corações por lá espalhados eheheh - nem de propósito!), que não tem mais de 500 habitantes e fica perdido no meio de serras - muitas delas ardidas no ano passado. É de cortar o coração...

Acordar aqui foi deslumbrante, pois como cheguei já de madrugada não me apercebi do lugar onde estava. Fiz os últimos quilómetros em piloto automático...

Como o tempo esteve mau, não sentimos grande necessidade de sair de lá. Ainda fizemos uns passeios a pé pela vila e conhecemos alguns locais, mas isso fica para outro post, caso contrário entupo este de fotos, pois são difíceis de escolher. Assim, e para quem me enviou perguntas via Instagram durante o fim-de-semana em que lá estive:

Foram apenas duas noites. Queria ter ficado outras duas, mas não pode ser. Tentei aproveitar ao máximo o Aqualudic, um espaço dentro do hotel e que reune diversas áreas e que faz parte de um complexo maior, o Aquadome onde há , ainda, um SPA e umas termas. 

Uma das grandes vantagens deste hotel é não termos de nos preocupar em desfilar modelos das últimas colecções, não vá parecer mal. O dress code é: roupão, chinelos, fato de banho e touca de piscina. What? Não, não estou a brincar. É mesmo isto!  - logo ao pequeno almoço, que é de comer e chorar por mais.

O Circuito Celta - no Aqualudic - é composto por piscinas interiores e exteriores de água aquecida, uma deliciosa cascata, saunas várias, duches com diferentes temperaturas...uma verdadeira delícia. Um local perfeito para se estar sem horas a relaxar. Se tivesse de eleger um espaço favorito, seria o Hamman - uma sauna húmida repleta de luzinhas que nos faz sentir que temos o céu estrelado por cima.

A quem recomendo este hotel? A qualquer pessoa! Sozinha, numa escapadinha romântica, com amigos ou em familia. Vi lá familias com crianças bem pequenas, mas devido às restrições de idade nas saunas, turcos e jacuzzis talvez seja mais difícil gerir quem pode desfrutar do quê e, sinceramente, ter de gerir stresses deste género ali, é perder metade do que pode ser experienciado.

Apenas uma nota: façam a reserva com antecedência, pois está sempre esgotado. Felizmente, aqui não há época baixa e como fazem aqui muitos congressos fica facilmente lotado. Apesar disto, não damos pelo número de pessoas lá dentro...impera um silêncio tãoooo relaxante.

O staff é todo muito atencioso - acreditem que ter chegado às três da manhã, completamente esgotada de uma viagem demasiado longa (não tanto em quilómetros, mas em tempo) e ter sido recebida com um sorriso afável fez toda a diferença.

Ficam as imagens para memória futura e para me lembrar que há momentos em que as coisas boas não acontecem só aos outros. 

Obrigada, Eclat. 
Obrigada ComfortZone.
Obrigada por este mimo, que - só a título de esclarecimento - não teve nada a ver com o blog.

Pano p'ra Mangas


terça-feira, 19 de junho de 2018

Estar-se só. Sentir-se só. Ser-se só.


A diferença que um verbo faz. Um verbo e a forma como se encara o adjectivo.

Acho que tenho tenho créditos mais do que suficientes para falar sobre este assunto e sobre as diferenças entre estes estados de alma, de coração e de corpo - sem falsos pudores, que a idade é um estatuto e dá-me o direito de falar sobre muitas coisas que outros escondem e sofrem com isso.

Deitar os fantasmas cá para fora sem fazer o papel de "coitadinha" não é fácil. Aliás, se há sentimento que abomino é o da "pena" : não há nada mais desgastante e miserável que sentir pena de alguém ou sentir que alguém sente pena de nós. O "síndrome da coitadinhice" é algo que não me assiste. De todo! Falo por mim, é evidente, mas acredito que quem sofra dessa doença não seja, nem consiga ser, minimamente feliz.

Eu estou sozinha há muito tempo. Há anos sem fim, para ser sincera. Há demasiado tempo, até. Contudo, não me sinto só. Não sou só. Aquela expressão do me, myself and I é o meu retrato.

Estar, sentir e ser são palavras tão diferentes...

Aprendi, com a vida, a viver em paz com isso. Aprendi a viver comigo e a estar comigo - e olhem que há dias em que até eu tenho dificuldade em me aturar. Aprendi que não é essencial ter alguém - um namorado, um marido, um companheiro - para me sentir feliz. Aquela metáfora da outra metade da laranja não me faz sentido, até porque as laranjas não crescem nas árvores às metades...

Ir fazer um passeio sozinha. Ir almoçar sozinha. Ir ao shopping sozinha. Passar um, dois, três,... mil serões e noites sozinha. Nada disto me faz confusão. Nada disto me causa angústia - a não ser quando penso na velhice.

Como em muitos outros aspectos da minha vida aprendi a aceitar tudo isto como um facto, com a serenidade que sempre vi na minha avó - que perdeu um filho demasiado jovem e, poucos anos depois, ficou viúva. Viveu sozinha até quase aos seus últimos dias e nunca senti nela a angustia da solidão que atira muitas pessoas para o fundo do poço.

Ahhh, mas isto não faz de mim a super-mulher com super-poderes  de capa voadora e escudo defensor, ou, como diz a canção, capaz de "amar pelos dois". Eu amo por mim, não pelo outro. A canção pode ser bonita, mas amar pelos dois? À letra é algo demasiado triste...

Quando oiço "devias arranjar um namorado!" (ahhh o que eu adoro quando alguém me diz que eu "devia" fazer alguma coisa...nem imaginam!), ou "assim é que tu estás bem!" (o que diabo é isso de "assim" e "estar bem"?) fico sem resposta e penso "smile and wave, Margarida... smile and wave." Enfim, é muito fácil dar palpites sobre a vida e o bem - ou mal - estar alheio, do que falar com a pessoa e escutar o que ela tem para dizer - se a mesma quiser falar, obviamente.

E se na maior parte dos dias eu estou bem, sinto-me bem e "sou-me" bem só, outros há que me apetecia chegar a casa e ter um(s) abraço(s) à minha espera. Um colo. Um aconchego. (sim, eusei que só estou a ver a parte boa da coisa, ok?) Como já disse, eu não visto a capa da super-mulher. Vistas as coisas de uma forma prática: eu sou uma laranja e quando encontrar o meu limão, juntos faremos uma "limolaranjada"!

E porque é que escrevo isto hoje? (nem é bem hoje, pois já tinha grande parte deste post escrito há umas semanas...). Porque me apetece. Porque me apetece mostrar o meu lado forte, mas também mostrar que tenho um lado menos forte. Porque este assunto tem surgido em conversas, leituras, por aí... Porque há pessoas que não sabem estar, sentir-se ou ser-se sós, sem estarem, sentirem ou serem a solidão - uma coisa nada tem a ver com a outra. Porque há mais pessoas como eu - e eu conheço algumas. E porque há outras que, estando acompanhadas, são e sentem-se sozinhas.

A solidão é tramada! Estar-se, sentir-se ou ser-se só é completamente diferente.

Se continuo a acreditar no AMOR? Se continuo a acreditar que AQUELE AMOR anda por aí pendurado num limoeiro? Acredito, pois! Mas não vou fazer disso um campo de batalha nem vou andar por aí, desesperadamente, de pomar em pomar à procura do limão certo. Ele existe. E quando aparecer, aparece. E brindaremos com a tal "limolaranjada"!

Pano p'ra Mangas
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