quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Crumble de figos frescos


Quando chega a época dos figos, o seu percurso mais normal - aqui em casa - é: árvore-cesto-mesa-yuummmm! Com casca e tudo. Sem serem lavados. Ooopppss! Pois... é que estas figueiras não têm qualquer tratamento a não ser a água da chuva, por isso...


Há dias disseram-me que os figos, no mercado, estavam caríssimos. Confesso que não faço ideia, pois é daquelas frutas que nunca me lembro de alguém ter comprado aqui para casa, uma vez que em Junho chegam os figos lampos e - salvo raras excepções -, as figueiras carregam até não poderem mais, e por esta altura chegam os figos pingo de mel e os pretos.

Às vezes também os como com queijo ou com presunto, mas que eu me lembre nunca os tinha cozinhado. Há sempre uma primeira vez! Procurei uma receita de Crumble de Figos que me agradasse e como não encontrei nenhuma, fiz a minha. Provavelmente não é original, mas para que não se perca fui tomando nota - no primeiro papel que apanhei à mão! - da mesma à medida que me ía adicinando os ingredientes. Já a provei e tenho de lhe fazer uns ajustes, nomeadamente no açúcar, que terá de ser reduzido ao mínimo, pois os figos já têm doce mais que suficiente.


Ainda assim, e porque mesmo doce está muito bom, deixo-vos a receita.

Para o crumble:

100gr de farinha de aveia
40gr de flocos de aveia
110gr de manteiga 
80gr de açúcar amarelo (se não levar nenhum não deve fazer muita diferença...)
75gr de nozes

Para o recheio:
600gr de figos frescos cortados em quartos
sumo e raspa de uma lima

Cortar os figos, salpicar com a raspa de lima e regar com o sumo. Reservar num tabuleiro de forno.
Na Bimby juntar todos os ingredientes para o crumble e programar 10seg/vel5. Deitar esta massa areada sobre os figos e levar ao forno a 200ºC durante 30 minutos (a relação temperatura/tempo pode variar de forno para forno)

Servir quente ou frio.  Fica a sugestão que pode ser acompanhado de uma bola de gelado de lima, de baunilha ou nata.


Bom apetite!

Pano p'ra Mangas

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ser blogger, instagrammer, influencer, whatever...

Imagem: Pixabay


...nos dias de hoje não é fácil!
Ora montemos o cenário:

Tens um blog, meia dúzia de seguidores, que podem variar entre os 1000 e os 5000 - mais coisa, menos coisa e, na tua cabeça queres mesmo fazer disto a tua profissão (à laia dos miúdos que sonham ser o próximo Cristiano Ronaldo). Vives nas brenhas, que é como quem diz, nos arrabaldes, ou - na pior das hipóteses - onde Judas perdeu as botas (tipo Caminha ou Vila Real de Santo António, passando por Marco de Canavezes e Faro). 

O que é que tens de fazer? Ou te mudas para a capital - e não falo de Paços de Ferreira, que aí é só a capital do móvel...ou era, antes do aparecimento do IKEA - Lisboa, onde tudo acontece, e te mexes para entrar “no meio”, ou então, caso não queiras ou não possas sair da santa terrinha vais ter de penar muito.

Continuamos com o mesmo blog: podes sempre comprar seguidores e likes para o fazer crescer - mas só aparentemente - a tua comunidade e, de repente, passas a ter 30.000 fãs vindos do Bangladesh, da Rússia ou do Brasil. Neste caso aconselho aumentares a tua competência linguística noutras línguas para além do português, pois mesmo sabendo que os comentários são gerados por bots vais querer fazer parecer que a coisa é orgânica e deverás responder-lhes. Também podes ir a lugares e festas, pagar e fingir que foste convidado/a - não me parece que resulte, mas não se pode descartar nenhuma hipótese. Até as mais absurdas!

Entretanto, os teus números já cresceram um bocadinho. FANTÁSTICO! Aconselho-te a construir o teu media kit - onde poderás falsificar os valores, pois com base nos tais seguidores do Bangladesh, eles até parecem verdadeiros e ninguém os vai verificar.

As fotos têm de ser boas, certo? Errado! Elas têm de ser muito boas e mega editadas! Contratas um/a namorado/a ou whatever que te siga para todo o lado com a máquina fotográfica, fazes uma pesquisa por "poses para fotos" no Instagram ou no Pinterest, treinas um bocadinho ao espelho - no worries, practice makes perfect, que é como quem diz, a prática faz a perfeição,  e colocas na bagageira do carro: roupas, óculos de sol, sapatos, bebidas, cereais, iogurtes, queijos e leites (ainda que sejas vegan - isso não importa para o caso e é capaz de valer o sacrifício!). Essencial: todos os bens que leves para fotografar deverás poder devolvê-los de seguida (aconselho a leitura atenta das políticas de trocas e devoluções das lojas onde fores fazer compras), caso contrário não há orçamento que aguente. Lembra-te, também de passar num take away e levar um hamburger com tudo ao que o mesmo tenha direito, batatas fritas inclusivamente. Porquê? Porque isto de tirar muitas fotos dá fome e assim não se desperdiça tudo, porque podes aproveitar para fazer umas stories enquanto te delicias com o dito cujo (lembrar de tagar a cadeia de comida processada) - as stories desaparecem em 24 horas, tal como a memória das pessoas se desvanece, por isso guarda para o feed e para o blog as sementes, as saladas e o “eu só como saudável”.

Continuas na santa terrinha? Bem, com tanto esforço e com uns mails pelo meio lá consegues chamar a atenção de uma agência que, tem pena de ti, e te começa a enviar tralhas para casa - aquelas que mais ninguém quer. O primeiro unboxing é uma excitação - lembra-te de fingir que não sabes o que vem dentro da embalagem e parecer surpreendido/a. Tiraste fotos, fizeste videos. Agora só tens de partilhar com a tua comunidade do Bangladesh, do Brasil e da Rússia - não vão pescar nada, mas o que é que isso interessa? Chovem likes e comentários do género: "Wow, great photo!" ou "I love your feed!" Estás lá! É isso mesmo.

Passadas umas semanas recebes mais uma tralha da mesma marca da anterior, olhas para a coisa e pensas: "O que diabo vou fazer com isto?". a dúvida e indecisão estão semeadas. Se produzes algum conteúdo com a coisa, certamente dentro de umas semanas irás receber mais tralhas em casa; caso não o faças, o teu nome será riscado da mailing list. Mas o teu objectivo é mesmo viver disto, não é? Pois... então o melhor será arranjar uma arrecadação para guardares os teus presentes, ou então podes guardá-los para distribuir em aniversários ou no Natal, é que hoje recebes um espanador de pó (de tecnologia de ponta) mas com jeitinho amanhã já recebes uma viagem a Marraquexe (esta dá para oferecer ao namorado/a, pois de certeza irás precisar de alguém que te tire fotos)

Afinal resolveste mudar-te para Lisboa. Que bela decisão! É aí que tudo acontece: lançamento de novos produtos, activações de marca nos sitios da moda, cursos e workshops!!!! Wow! As oportunidades são muitas, vais poder aparecer. PARABÉNS!!! Mas lembra-te: é uma selva! E a selva está cheia de perigos... Nesta selva o leão é amigo da gazela, por muita vontade que tenha de lhe saltar em cima e de a comer. Assim, com estas palavras todas e sem segundos sentidos, ok? Que o Pano p'ra Mangas é um blog familiar.

Preparado/a para a vida na selva? Então é assim: cuidado com as tuas opiniões pessoais. Deixaste de as ter. Cresceste. A tua pessoa, a que fez nascer o blog morreu. És a gazela amicíssima do leão, ou vice-versa (mas só em público, descansa...), hoje comes alimentos processados, mas amanhã,só entra em casa o que for biológico, morres de amor por uns stilettos quando na realidade andas de ténis. É assim. 

Podes começar a dispensar os seguidores dos países longínquos, porque por cá já tens o teu rebanho. É como uma seita que te venera. Contudo, com a seita aparecem também os da oposição - também conhecidos por haters, que estarão à espera da primeira fatia de pizza para te atirar do pedestal abaixo. Ou pelo menos tentar...

BOA SORTE!

At last, but not the least: compra um dicionário e uma gramática ou contrata um ghostwriter que saiba, efectivamente, escrever.

Vêem como é difícil? Obviamente fiz um retrato satirico da coisa...mas no fundo é assim.


Nota: não tenho nada contra as pessoas dos países supra citados, contudo verifica-se a existência de muitos perfis falsos com origem nos mesmos e que servem apenas para efeitos de números.

Pano p'ra Mangas

domingo, 5 de agosto de 2018

Favourite places: Chelsea Coffee & Brunch


Faro está uma cidade diferente. Mais activa e repleta de lugares bonitos onde apetece ir.  Se me perguntarem onde jantar ou almoçar, confesso que até tenho dificuldade em indicar um sitio, pois há mesmo muitos espaços novos e variados, com ou sem esplanada e que servem pratos diferentes a horas diferentes.


Há cerca de um mês abriu o Chelsea Coffee & Brunch e há uns dias estive lá , a convite da Baixa de Faro, para o conhecer. Dada a hora a que chegámos (por volta das 20h) já não tivemos hipótese de experienciar nenhum dos pratos de brunch que estão na carta, uma vez que estes são servidos até às 19h... Foi pena! Por outro lado, se tal tivesse acontecido, não nos tinha sido dada a hipótese de experimentar um café preparado a preceito, numa espécie de ritual, em que o café é moído na hora e minuciosamente pesado e preparado com a quantidade de água correcta. Em Lisboa ou no Porto até já há lugares onde esta é uma prática comum, mas que eu saiba, em Faro é mesmo uma novidade - e novidades (boas!) são sempre bem-vindas.

O café é, simplesmente, delicioso!


A pastelaria é requintada. É bonita. Calculo que seja saborosa... (é que não cheguei a provar a tarte de framboesas usada nas fotos)

De todos os pratos do menu, aqueles que me deixaram curiosa foram os Ovos Benedict - um dos meus pequenos-almoços/almoços preferidos do tempo em que vivi em Londres - e as Tapiocas - simplesmente porque quando faço em casa não atino com a coisa.


Assim, durante a semana fui lá duas vezes. Numa primeira incursão deliciei-me com os ditos ovos, aos quais adicionei espinafres e salmão. Numa segunda ida, pedi uma Tapioca com ovos, cogumelos, abacate e ovo. As doses são generosas, por isso não há como ficar com fome - para dizer a verdade deixei comida no prato... Estava tudo muito bem temperado, mas ligeiramente tomado de sal, facto que comuniquei ao proprietário - pode ter sido um descuido do Chef, mas em dias de calor e numa época em que se combate o excesso do mesmo, há que haver moderação no  seu uso.


O Chelsea Brunch & Coffee prima, também, pelo bom gosto da decoração. Além da esplanada, tem três salas diferentes, cada uma com o seu toque de originalidade. Apesar de ser Verão, eu diria que vai ser um lugar muito aprazível durante o Inverno.

Se é para voltar? Obviamente que sim, até porque ainda há muitas coisas boas no menu para provar.

Fotografias: (excepto a última que tirei com o telemóvel*): Ricardo Bernardo para Baixa de Faro

*publicidade à parte, para um telefone de 150 euros as fotos são bem boas!!!

Pano p'ra Mangas
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