domingo, 23 de outubro de 2022

A essência


Algures no tempo sinto que a essência do Pano p'ra Mangas se foi perdendo. Foram as redes sociais, fui eu, foram todas as mudanças que aconteceram - não, não tem nada a ver com a pandemia, aliás, esta não pode ser desculpa para tudo o que se perdeu e não trouxemos para esta nova vida. Nova...está quase tudo na mesma, se virmos bem.

E como é que me dei conta disto? Agora! Apenas agora. Nunca é tarde, parece-me...

Fui a uma das estantes que tenho nos meus cinco metros de felicidade na meca de uns livros japoneses, de costura, que comprei na Retrosoaria há cerca de dez anos (UMA DÉCADA!) e os meus olhos pararam nestes dois que trouxe de Londres, também há quase dez anos.

Olhei para eles, peguei-lhes, folheei-os e pensei que os compraria de novo se fosse hoje. Afinal há coisas que não mudam e a essência é uma delas.

Na época o Instagram estava a dar os primeiros passos, ainda não havia influenciadores digitais, pouco se falava em gestão de redes sociais ou gestão de comunidades. As bloggers trocavam, entre si presentes que, depois agradeciam num post simpático. Era genuíno. Enviávamos e recebíamos sem o compromisso de ter que falar bem. Enviávamos e recebíamos porque sim. Apenas isso. Foi noutra vida, parece-me.

Às vezes perguntam-me pelo blog. Não morreu, mas tem estado em coma profundo agarrado apenas ao nome que permanece nas tais redes que o vieram destronar. Lá, os textos são mais curtos, as fotos que têm mais audiência são aquelas em que aparecemos, os posts com mais visualizações, partilhas e comentários são os que, de alguma forma, se referem a assuntos mais polémicos.

E eu fiquei a namorar os livros que trouxe comigo. Enfiei na mala também um dos meus quilts. 


Tenho saudades de escrever aqui - porque continuo a escrever noutros lugares. Tenho saudades das horas passadas no atelier e para o qual, nesta fase da minha vida não tenho tempo. Tenho saudades dos meus cadernos de aguarelas e rabiscos onde desenhava projectos que nunca chegavam a tomar forma.

Porque o que eu gosto realmente é de escrever, de fazer. Quero que me reconheçam pelo que escrevo, pelo que faço, pelo que sou, e não pelos lugares onde vou, pelas roupas que visto ou pelas pessoas que encontro pelo caminho.

Abrandar é o que se impõe. Tal como escrever, já que para fazer precisava de um tempo que agora não tenho.

Quanto aos livros, lembro-me que foram amor à primeira vista, tal como a loja onde os comprei e onde ía amiúde. O estilo shabby-chic estava muito em voga na época. Era descontraído, despretensioso, obrigava a rebuscar os baús das avós. Era - e é! - uma delícia.

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