segunda-feira, 10 de junho de 2019

O impacto das emoções virtuais nas nossas vidas

É certo e sabido que quem não tem, pelo menos, uma presença numa das muitas redes sociais que proliferam por aí, é visto como "anti-social", "nerd", "bicho do mato", entre outros. Porquê? Porque desde que elas existem o normal é estar presente, aparecer, ser visto... São as "idas ao teatro" dos tempos modernos! - antigamente ía-se ao teatro para ver e ser-se visto, certo? É isso que acontece agora também, mas o ecrã serve de montra para o mundo.

Há uns meses, numa conversa sobre este assunto, alguém me perguntava: O que é que tem mais valor para ti: um bom dia dito cara-a-cara ou um like recebido numa publicação que faças numa rede? A minha resposta foi quase imediata: para mim, a primeira opção é a que tem mais valor. Contudo, se eu achava que a conversa ficava por aqui, enganei-me. A esta pergunta-seguiu-se outra: E se esse like vier de alguém que admiras ( e aqui falamos na esfera dos "influentes" - um cantor, um actor, um político, um instagrammer ou blogger, ...) e com quem não tens a possibilidade de te cruzar todos os dias? Confesso que tive de pensar duas vezes antes de responder... e da mesma forma que eu tive de pensar duas vezes, acredito que muitas pessoas também o façam ou então dêem uma resposta à laia de "Ahhh, mas isso é diferente!"

A minha resposta à segunda pergunta? Continuo a valorizar muito mais o bom dia, ainda que fugaz, o cruzar de olhos por um instante ou o abraço mais ou menos demorado que possa vir na sequência desse bom dia. Sim, o abraço. Não com todas as pessoas, é verdade - tem de haver um certo grau de proximidade, cumplicidade e intimidade para mo permitir. Eu, o bicho do mato que quase não dizia bom dia e saía de mansinho para que não dessem por mim, aprendi a gostar de abraços. 

Mas voltemos à questão: o bom dia? ou o like? Perguntinha difícil esta, não?

Um like ou uma reacção, vindos de quem quer que seja é sempre uma massagem ao ego. E quem não gosta de massagens ao ego? Eu gosto! Por que negá-lo? Às vezes sabe bem...

Já cheguei a ouvir um excitado "Já ganhei o dia!" apenas por causa de um dedinho espetado ou um coração. Como é que se chega ao ponto de "ganhar o dia" com uma coisa, aparentemente, tão insignificante? Talvez porque vivamos cada vez mais em função destes dedinhos e destes corações... 

Há quem vá às lojas, por exemplo, e compre roupa - que depois devolve - apenas para a fotografia do Instagram.
Há quem se sente em esplanadas da moda  - e nem peça sequer um copo de água  - apenas para as fotos do Instagram.
Há quem edite fotografias - ao ponto de tornas os locais irreconhecíveis - apenas para o Instagram.
Há quem viva uma vida de plástico apenas para o Instagram.

E as redes fomentam isto. Quantos mais likes, mais visibilidade. Quanto mais visibilidade, maior o sucesso (dependendo do conceito de sucesso que cada um tem...). É uma verdadeira pescadinha de rabo na boca. Há quem conte os likes. Há quem os pedinche. Há quem viva deles para alimentar o ego. Há quem, num acto de desespero, os compre... 

Não vou repetir a pergunta que me fizeram, mas deixo-vos estas:
Será que a pessoa que fez like na vossa publicação é mesmo essa pessoa? Pode ser um robot. Pode ser um gestor de redes sociais...
Lembram-se quais foram as últimas cinco publicações onde deixaram um dedinho ou um coração? Não vale ir ver ao histórico!

Pano p'ra Mangas




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